Economia

P1 · 4 questões × peso 1 = 4 pontos · prioridade: baixa
Visão do professorComece por bens públicos, tributação e contas nacionais: eles conectam Economia à atividade fazendária e às outras matérias. Depois amplie para elasticidades, estruturas de mercado e modelos macroeconômicos. Minha orientação é compreender o mecanismo e suas hipóteses antes de decorar o resultado de uma política. Poucas questões na composição não tornam o restante do programa dispensável. Avaliação de projetos, VPL e TIR estão em Matemática Financeira.

Entenda do zero · Economia

Economia estuda escolhas diante de recursos limitados. Não é apenas estudar dinheiro ou acompanhar a bolsa.

1. Escolher uma coisa implica abrir mão de outra

Se o governo usa um terreno para construir uma escola, não pode usar simultaneamente o mesmo espaço para outro projeto incompatível. O custo de oportunidade é o valor da melhor alternativa abandonada. Ele existe mesmo quando não há pagamento explícito. A microeconomia analisa decisões e mercados específicos; a macroeconomia observa agregados, como produção, inflação e emprego.

2. Preço, demanda e oferta

Em geral, mantidos os demais fatores, um preço maior reduz a quantidade demandada e estimula a quantidade ofertada. Isso é um movimento ao longo das curvas. Já uma mudança na renda ou nos custos pode deslocar uma curva inteira. A elasticidade mede a intensidade da resposta: não basta saber que o consumo caiu, é preciso comparar a variação percentual com a do preço.

3. Por que o governo intervém?

Mercados podem apresentar falhas. Uma fábrica que polui e impõe custos a terceiros gera externalidade negativa. A iluminação de uma rua aproxima-se do exemplo de bem público: seu uso é não rival e é difícil excluir usuários. Em economia, “público” descreve essas características, não apenas quem é proprietário.

Na prática · funções do governoFinanciar um bem público está ligado à função alocativa. Usar tributos e transferências para reduzir desigualdades está ligado à distributiva. Atuar para suavizar oscilações de produção e emprego está ligado à estabilizadora. Uma política pode combinar mais de uma função.

4. Crescimento nominal não é crescimento real

O PIB mede a produção de bens e serviços finais no território em determinado período. O valor nominal pode aumentar só porque os preços subiram; a medida real busca separar esse efeito. Inflação é aumento do nível geral de preços, não qualquer alta isolada. Política fiscal envolve gastos e tributos; política monetária envolve instrumentos como a taxa de juros e a gestão da liquidez.

Confira se entendeu: todo serviço oferecido pelo governo é um bem público no sentido econômico?

Não. A classificação depende de rivalidade e exclusão. Uma vaga em uma sala de aula, por exemplo, pode ser limitada e seu uso afeta a disponibilidade para outros.

A seguir, aprofunde falhas de mercado, tributação e modelos macroeconômicos.

1. Eficiência, bem-estar e falhas de mercado

Ótimo de Pareto: situação em que não é possível melhorar alguém sem piorar outro. Eficiência de Pareto não garante justiça distributiva.

Falhas de mercado (justificam a intervenção do governo): bens públicos, externalidades, assimetria de informação, poder de mercado (monopólio, inclusive natural), mercados incompletos, desemprego e inflação (falhas macro).

Mnemônico"BEAM" das falhas de mercado: Bens públicos, Externalidades, Assimetria de informação, Monopólio/mercados incompletos.
Pegadinha FCCExistem também falhas de governo (teoria da escolha pública): busca de renda (rent-seeking), troca de votos (logrolling), captura regulatória, miopia eleitoral. Intervir não garante resultado melhor que o mercado.

2. Classificação dos bens

ExcludenteNão excludente
RivalBem privado (roupa, comida)Recurso comum (peixes no oceano, pastagem aberta): tragédia dos comuns
Não rivalBem de clube (TV a cabo, streaming, rodovia com pedágio vazia)Bem público puro (defesa nacional, iluminação pública, farol)

Não rivalidade: o consumo de um não reduz o do outro (custo marginal de mais um usuário ≈ 0). Não exclusão: impossível ou caro demais impedir quem não paga. Daí o problema do carona (free rider): o mercado subofereceria o bem público, que acaba financiado por tributos.

Bens meritórios (Musgrave): bens que poderiam ser ofertados pelo mercado (são rivais e excludentes), mas o governo considera socialmente desejáveis e oferta/subsidia: educação, saúde, merenda escolar.

Mnemônico"Público: Ninguém Rivaliza, Ninguém é Excluído" (N-N); Clube: Não Rival mas Exclui (precisa de carteirinha); Comum: Rival mas não Exclui (todos pegam e acaba).
Pegadinha FCCBem público não é "bem ofertado pelo governo". Educação e saúde públicas são meritórios (rivais e excludentes); bem público é definido pelas características de não rivalidade e não exclusão, não por quem o produz.

3. Externalidades e assimetria de informação

TipoEfeito no mercadoExemploCorreção
NegativaProdução acima do ótimo social (custo social > custo privado)PoluiçãoImposto de Pigou, regulação, licenças negociáveis
PositivaProdução abaixo do ótimo socialVacinação, pesquisaSubsídio pigouviano, oferta pública

Teorema de Coase: se os direitos de propriedade estão bem definidos e os custos de transação são baixos (nulos), as partes negociam e chegam à alocação eficiente, independentemente de a quem o direito foi atribuído inicialmente (a atribuição só afeta a distribuição).

Seleção adversaRisco moral (moral hazard)
QuandoAntes do contrato (informação oculta)Depois do contrato (ação oculta)
ExemploMercado de "limões" de Akerlof; só os de alto risco compram seguroSegurado deixa de tomar cuidado; agente não se esforça
SoluçõesSinalização (Spence: diplomas, garantias), triagem/screening, seguro obrigatórioFranquia, coparticipação, monitoramento, remuneração por desempenho
Mnemônico"Seleção é na Seleção (antes de entrar); Moral é no Meio do jogo (depois de assinar)". O problema principal-agente é a forma geral do risco moral.
Pegadinha FCCCoase não exige intervenção do governo: a solução é a negociação privada. O que ele exige são direitos de propriedade definidos e custos de transação baixos. Pigou é que propõe o imposto/subsídio.

4. Funções do governo e tributação

Função (Musgrave)ObjetivoExemplos
AlocativaProver bens que o mercado não oferta ou oferta malBens públicos, correção de externalidades
DistributivaAjustar a distribuição de rendaTributação progressiva, transferências (Bolsa Família)
EstabilizadoraPleno emprego, estabilidade de preços, crescimentoPolíticas fiscal e monetária anticíclicas
Mnemônico"ADE": Alocar, Distribuir, Estabilizar.
Bizu"Quem é mais inelástico paga a conta." Demanda totalmente inelástica → consumidor arca com todo o tributo; oferta totalmente inelástica → produtor arca com tudo, e o peso morto é zero.

5. Demanda, oferta, elasticidade e estruturas de mercado

Elasticidade-preço da demanda:  Ed = (%ΔQ) / (%ΔP)    (em módulo)
|Ed| > 1 elástica · |Ed| = 1 unitária · |Ed| < 1 inelástica
Elasticidade-renda: > 0 bem normal (> 1 superior/luxo); < 0 bem inferior
Elasticidade-cruzada: > 0 substitutos; < 0 complementares
BizuReceita total: demanda elástica → reduzir o preço aumenta a receita; inelástica → aumentar o preço aumenta a receita. Por isso combustíveis, cigarro e energia (inelásticos) são alvos clássicos de tributação: arrecadam muito e reduzem pouco a quantidade.
EstruturaNº de firmasProdutoPonto-chave
Concorrência perfeitaMuitasHomogêneoTomadoras de preço; P = CMg; lucro econômico zero no longo prazo
Concorrência monopolísticaMuitasDiferenciadoAlgum poder de preço; lucro zero no longo prazo; capacidade ociosa
OligopólioPoucasHomogêneo ou diferenciadoInterdependência estratégica (Cournot: quantidade; Bertrand: preço; cartel)
MonopólioUmaSem substituto próximoRMg = CMg, P > CMg, gera peso morto

Monopólio natural: custo médio decrescente em toda a faixa relevante (economias de escala; ex.: saneamento, distribuição de energia). Uma só firma produz mais barato; a solução é regulação (preço pelo custo médio, price cap) ou provisão pública.

6. Macroeconomia: contas nacionais e multiplicador

PIB (ótica da despesa) = C + I + G + (X − M)
PIB a preços de mercado = PIB a custo de fatores + impostos indiretos − subsídios
PNB = PIB − Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE)
Identidade poupança-investimento: I = S_privada + (T − G) + (M − X)
Multiplicador keynesiano (economia fechada, sem tributo proporcional):
  k_gastos = 1 / (1 − c)        k_tributos = −c / (1 − c)        orçamento equilibrado = 1

Exemplo: propensão marginal a consumir c = 0,8 → k = 1/0,2 = 5. Aumento de R$ 10 bi nos gastos eleva a renda em R$ 50 bi; corte de impostos de R$ 10 bi eleva em 4 × 10 = R$ 40 bi; gasto de R$ 10 bi financiado por R$ 10 bi de impostos eleva em R$ 10 bi (teorema de Haavelmo).

Pegadinha FCCO multiplicador dos gastos é maior que o dos tributos (em módulo), porque parte do corte de impostos é poupada. E com alíquota proporcional à renda (t) e importações (m), o multiplicador diminui: k = 1 / [1 − c(1 − t) + m].
BizuEfeitos para a Fazenda: em recessão a arrecadação cai mais que proporcionalmente (elasticidade-renda da receita > 1 é comum); inflação alta com defasagem na arrecadação corrói a receita real (efeito Oliveira-Tanzi); alta de juros encarece a dívida; investimento público tende a ter multiplicador maior que o gasto corrente.

7. IS-LM, Mundell-Fleming, inflação e Phillips

IS: equilíbrio no mercado de bens (deslocada pela política fiscal). LM: equilíbrio no mercado monetário (deslocada pela política monetária). Política fiscal expansionista eleva renda e juros, podendo gerar crowding out (os juros mais altos reduzem o investimento privado).

CasoFiscalMonetária
Armadilha da liquidez (LM horizontal, keynesiano)Máxima eficáciaIneficaz
Caso clássico (LM vertical)Ineficaz (crowding out total)Máxima eficácia
Mundell-Fleming, câmbio fixo, mobilidade perfeita de capitalEficazIneficaz
Mundell-Fleming, câmbio flutuante, mobilidade perfeita de capitalIneficazEficaz
Mnemônico"FiFi e FluMo": câmbio Fixo → Fiscal funciona; câmbio Flutuante → Monetária funciona.

Teste rápido

1. Iluminação pública é bem público puro, de clube ou recurso comum?

Bem público puro. Não rival e não excludente; gera o problema do carona.

2. Um plano de saúde que atrai sobretudo pessoas doentes enfrenta qual problema?

Seleção adversa. A informação oculta existe antes do contrato. Se, depois de contratar, o segurado passa a usar o plano sem cuidado, é risco moral.

3. Segundo Coase, o que garante a solução eficiente de uma externalidade sem intervenção estatal?

Direitos de propriedade bem definidos e custos de transação baixos. O resultado eficiente independe de quem detém o direito inicial.

4. Sobre quem recai a maior parte de um tributo quando a demanda é mais inelástica que a oferta?

Sobre os consumidores. O ônus econômico recai sobre o lado mais inelástico, não sobre quem recolhe legalmente.

5. Com propensão marginal a consumir de 0,75, qual o multiplicador dos gastos do governo?

4. k = 1/(1 − 0,75) = 1/0,25. O multiplicador dos tributos seria −3.

6. Em economia com câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capital, qual política é eficaz para elevar a renda?

A política monetária. No modelo Mundell-Fleming, a fiscal expansionista aprecia o câmbio e anula o efeito pela queda das exportações líquidas.