Matemática Financeira e Estatística

P1 · 6 questões × peso 1 = 6 pontos · prioridade: média
Visão do professorGanhe segurança em taxas e equivalência, probabilidades e interpretação estatística. Desenhe fluxos financeiros e tabelas de frequências antes das fórmulas. Treine contas simples à mão, mas não pressuponha que a prova terá números redondos ou todas as tabelas de fatores: use somente o que o enunciado fornecer. Amplie a cobertura gradualmente, sem abandonar assuntos só por terem menos questões previstas na composição. As métricas de ML se conectam à página de IA e Machine Learning.

Entenda do zero · Matemática Financeira e Estatística

Aqui há duas perguntas centrais: como comparar dinheiro em datas diferentes e como aprender com dados sem tirar conclusões indevidas?

1. Dinheiro tem uma data

Capital é o valor inicial; juros são a remuneração pelo tempo; montante é capital mais juros. A taxa precisa usar a mesma unidade do prazo: taxa mensal combina com número de meses. Antes da fórmula, anote os valores e desenhe uma linha do tempo.

Na prática · R$ 1.000 a 10% ao mês por dois mesesNos juros simples, cada mês rende R$ 100 sobre o capital inicial: montante de R$ 1.200. Nos compostos, o segundo mês rende sobre R$ 1.100: montante de R$ 1.210. Fórmulas: M = C(1 + i × n) e M = C(1 + i)n, com 10% escrito como 0,10.

2. Parcela não é só devolução do principal

Em um financiamento, a prestação normalmente reúne amortização, que reduz a dívida principal, e juros. No SAC, a amortização é constante; no modelo Price padrão, as prestações são constantes, sob taxa fixa e períodos regulares. Para comparar valores de datas diferentes, leve-os a uma mesma data usando uma taxa adequada.

3. Resumir dados sem esconder diferenças

A média soma valores e divide pela quantidade. A mediana é o centro dos dados ordenados. Em 2, 3 e 100, a média é 35 e a mediana é 3: um valor extremo deslocou bastante a média. A dispersão, medida por variância e desvio-padrão, mostra quanto os dados se espalham. Duas bases podem ter a mesma média e comportamentos muito diferentes.

4. Uma amostra não é a população inteira

População é o conjunto de interesse; amostra é a parte observada. Inferência usa a amostra para estimar características da população, com incerteza e pressupostos. Correlação indica associação, não comprova causa. E um p-valor pequeno não significa que a hipótese nula tem aquela probabilidade de ser verdadeira.

Confira se entendeu: 10% ao mês equivale a 20% em dois meses no regime composto?

Não. A taxa equivalente é (1,10 × 1,10) − 1 = 0,21, ou 21%. Somar taxas diretamente corresponde ao raciocínio proporcional, não à equivalência composta.

A seguir, use os conceitos para entender as fórmulas e seus pressupostos.

1. Juros simples x compostos

Juros simples:    J = C · i · n          M = C · (1 + i·n)
Juros compostos:  M = C · (1 + i)^n      J = M − C
Capitalização contínua:  M = C · e^(r·n)
Nº de períodos (compostos):  n = ln(M/C) / ln(1 + i)

Exemplo: C = R$ 1.000, i = 10% a.m., n = 3 meses.
Simples: M = 1.000 · (1 + 0,30) = R$ 1.300. Compostos: M = 1.000 · 1,13 = 1.000 · 1,331 = R$ 1.331.

BizuPara n < 1 (fração do período), juros simples rendem mais que compostos; para n = 1 são iguais; para n > 1 os compostos rendem mais. Simples = crescimento linear (PA); compostos = exponencial (PG).
Pegadinha FCCTaxa e prazo precisam estar na mesma unidade. Em juros simples basta converter proporcionalmente (2% a.m. = 24% a.a.); em compostos, não: use taxa equivalente. E cuidado com "ano comercial" (360 dias) x "ano civil" (365): juros comerciais usam 360.

2. Taxas: proporcional, equivalente, nominal, efetiva e real

TaxaDefiniçãoFórmula / exemplo
ProporcionalRegime simples: divide/multiplica pelo número de períodos12% a.a. ↔ 1% a.m.
EquivalenteRegime composto: produz o mesmo montante no mesmo prazo(1 + ia) = (1 + im)12; 1% a.m. ≡ 12,68% a.a.
NominalPeríodo da taxa ≠ período de capitalização (apenas "rótulo")24% a.a. capitalizada mensalmente
EfetivaPeríodo da taxa = período de capitalização24% a.a. cap. mensal → 2% a.m. → (1,02)12 − 1 ≈ 26,82% a.a.
Real x aparenteAparente (nominal) inclui inflação; real desconta a inflaçãoFisher: (1 + iap) = (1 + ireal)(1 + inflação)
Mnemônico"Nominal se divide, efetiva se eleva": taxa nominal vira efetiva por divisão proporcional (24% a.a. ÷ 12 = 2% a.m.); depois, para mudar de período, eleva (exponencia). E Fisher: "Aparente = Real vezes Inflação" (sempre com "1 +").

Exemplo (Fisher): aplicação rendeu 15,5% no ano; inflação de 5%. Real: 1,155 / 1,05 = 1,10 → 10% (e não 10,5%).

Pegadinha FCCSubtrair taxas (15,5% − 5% = 10,5%) é a alternativa errada plantada. Taxa real é divisão dos fatores. Do mesmo modo, taxa nominal anual com capitalização mensal não é a taxa efetiva anual: a efetiva é sempre maior (quando há mais de uma capitalização).

3. Desconto: comercial x racional; simples x composto

N = valor nominal (de face, no vencimento); A = valor atual (líquido); D = N − A; n = antecipação.

Racional ("por dentro")Comercial / bancário ("por fora")
SimplesA = N / (1 + i·n); Dr = A·i·nDc = N·d·n; A = N·(1 − d·n)
CompostoA = N / (1 + i)nA = N·(1 − d)n
Base de cálculoValor atualValor nominal

Exemplo: título de R$ 10.000, antecipado 3 meses, taxa 2% a.m., desconto simples.
Comercial: D = 10.000 · 0,02 · 3 = R$ 600; A = R$ 9.400.
Racional: A = 10.000 / 1,06 ≈ R$ 9.433,96; D ≈ R$ 566,04.

Relações úteis (simples):
D_c = D_r · (1 + i·n)                       → 600 = 566,04 · 1,06 ✓
Taxa efetiva do desconto comercial no período:  i = d·n / (1 − d·n)  → 0,06/0,94 ≈ 6,38%
Mnemônico"Comercial cobra do Cheio, Racional cobra do Resto": o comercial calcula sobre o valor cheio (nominal), por isso dá desconto maior; o racional calcula sobre o valor atual (o que resta após o desconto).
BizuCom a mesma taxa e prazo, desconto comercial > desconto racional. O desconto racional composto é o próprio "trazer a valor presente" de juros compostos: é a base de VPL, séries e equivalência de capitais.

4. Equivalência de capitais, séries de pagamentos e fluxo de caixa

Dois capitais são equivalentes se, levados à mesma data focal com a mesma taxa, têm o mesmo valor. Em juros compostos, a data focal escolhida não altera o resultado; em juros simples, altera (por isso a FCC indica a data focal).

Série uniforme postecipada (pagamento no fim de cada período):
  VP = PMT · [1 − (1 + i)^−n] / i         ← fator a(n,i), "a n cantoneira i"
  VF = PMT · [(1 + i)^n − 1] / i          ← fator s(n,i)
Série antecipada (1º pagamento na data 0): multiplique por (1 + i)
Perpetuidade:  VP = PMT / i       Perpetuidade crescente:  VP = PMT / (i − g)
Bizu"Entrada + n parcelas iguais" = série antecipada (a entrada é o primeiro pagamento). Se a questão disser "com carência" ou "primeiro pagamento após k meses", é série diferida: calcule o VP da série e desconte mais (k − 1) períodos.

5. Sistemas de amortização: SAC, Price e misto

SACPrice (francês)SAM (misto)
AmortizaçãoConstante = PV/nCrescenteMédia das duas
JurosDecrescentes (linearmente)DecrescentesMédia
PrestaçãoDecrescente (PA de razão −A·i)ConstanteMédia aritmética SAC e Price
1ª prestaçãoMaior que a PriceMenor que a SACIntermediária
Total de jurosMenorMaiorIntermediário

SAC: PV = R$ 12.000, 4 parcelas, 10% a.m. → A = 3.000.

nSaldo inicialJurosAmortizaçãoPrestação
112.0001.2003.0004.200
29.0009003.0003.900
36.0006003.0003.600
43.0003003.0003.300

Price: PV = R$ 10.000, 3 parcelas, 10% a.m. → PMT = 10.000 · 0,1 / (1 − 1,1−3) = 1.000 / 0,248685 ≈ R$ 4.021,15.

nSaldo inicialJurosAmortizaçãoPrestação
110.000,001.000,003.021,154.021,15
26.978,85697,893.323,264.021,15
33.655,59365,563.655,594.021,15
Mnemônico"SAC: Amortização Constante; PRICE: Prestação Constante": a letra do meio do nome diz o que é fixo. E na Price as amortizações crescem em PG de razão (1 + i): 3.021,15 · 1,1 = 3.323,26.
Pegadinha FCC"No SAC, as prestações são constantes." Errado: no SAC as prestações decrescem; o que é constante é a amortização. E juros de qualquer período = saldo devedor do período anterior × i, em ambos os sistemas.

6. VPL e TIR

VPL = −I0 + Σ FCt / (1 + TMA)^t       Decisão: VPL > 0 aceita; VPL < 0 rejeita
TIR = taxa que faz VPL = 0           Decisão: TIR > TMA aceita

Exemplo: investimento de R$ 1.000, retornos de R$ 600 em t = 1 e t = 2, TMA 10%.
VPL = −1.000 + 600/1,1 + 600/1,21 = −1.000 + 545,45 + 495,87 ≈ R$ 41,32 → aceita. TIR ≈ 13,07% a.p. (> 10%, coerente com VPL positivo).

BizuVPL e TIR concordam em projetos isolados e convencionais. Para projetos mutuamente excludentes, em caso de conflito, prevalece o VPL. A TIR pode ser múltipla ou inexistente quando o fluxo troca de sinal mais de uma vez (fluxo não convencional), e supõe reinvestimento à própria TIR.
Pegadinha FCCPayback simples ignora o valor do dinheiro no tempo e os fluxos após o prazo de recuperação; payback descontado considera o valor no tempo, mas continua ignorando os fluxos posteriores.

7. Estatística descritiva e análise exploratória

Tipos de variáveis: qualitativa nominal (cor, sexo) ou ordinal (escolaridade, classe social); quantitativa discreta (contagem: nº de filhos) ou contínua (medida: altura, renda).

Média: x̄ = Σx / n             Mediana: valor central dos dados ordenados   Moda: valor mais frequente
Variância populacional: σ² = Σ(x − μ)² / N      amostral: s² = Σ(x − x̄)² / (n − 1)
Desvio-padrão = √variância     Coeficiente de variação: CV = s / x̄
Amplitude interquartil: AIQ = Q3 − Q1
Outlier (boxplot): abaixo de Q1 − 1,5·AIQ ou acima de Q3 + 1,5·AIQ

Exemplo: dados 2, 4, 4, 5, 10. Média = 25/5 = 5; mediana = 4; moda = 4. Desvios: −3, −1, −1, 0, 5 → quadrados somam 36. Variância populacional = 36/5 = 7,2; amostral = 36/4 = 9; s = 3; CV = 3/5 = 60%.

Operação nos dadosMédia, mediana, modaVariânciaDesvio-padrão
Somar constante k+ kNão mudaNão muda
Multiplicar por k× k× k²× |k|
Mnemônico"Somar não espalha; multiplicar espalha ao quadrado". E para assimetria: "a cauda puxa a média": cauda à direita (positiva) → Média > Mediana > Moda (em ordem alfabética: Média, Mediana, Moda); cauda à esquerda (negativa) → Moda > Mediana > Média; simétrica → as três iguais.
BizuA mediana é robusta a outliers; a média não. No exemplo acima, o 10 puxou a média para 5, mas a mediana ficou em 4. Curtose: leptocúrtica (pico alto, caudas pesadas), mesocúrtica (normal: coeficiente de curtose 3, ou excesso 0), platicúrtica (achatada). Coeficiente percentílico: K = (Q3 − Q1) / [2(P90 − P10)], igual a 0,263 na normal.
Pegadinha FCCA variância está em unidade ao quadrado; o desvio-padrão volta à unidade original; o CV é adimensional (serve para comparar dispersão de séries com médias ou unidades diferentes). Atenção ao divisor: amostra usa n − 1.

Covariância e correlação

Cov(X,Y) = Σ(x − x̄)(y − ȳ) / (n − 1)        r = Cov(X,Y) / (sX · sY),  −1 ≤ r ≤ 1

r mede apenas associação linear. r = 0 não implica independência (pode haver relação não linear). Correlação não implica causalidade.

8. Probabilidade: regras, condicional, independência e Bayes

P(A ∪ B) = P(A) + P(B) − P(A ∩ B)
P(A | B) = P(A ∩ B) / P(B)
Independência: P(A ∩ B) = P(A) · P(B)    ⇔    P(A | B) = P(A)
Probabilidade total: P(B) = Σ P(B | Ai) · P(Ai)
Bayes: P(Ai | B) = P(B | Ai) · P(Ai) / P(B)

Exemplo (Bayes): fraude atinge 1% das declarações; o sistema acusa 90% das fraudulentas e 5% das regulares (falso positivo). Dado um alerta, qual a chance de fraude?
P(+) = 0,01·0,90 + 0,99·0,05 = 0,009 + 0,0495 = 0,0585. P(F | +) = 0,009 / 0,0585 ≈ 15,4%.

BizuPrevalência baixa pode reduzir bastante a probabilidade de fraude dado o alerta, mas o resultado também depende da sensibilidade e da taxa de falso positivo. No exemplo, monte 10.000 casos: 100 fraudes (90 alertas) e 9.900 regulares (495 alertas) → 90/585 ≈ 15,4%. É a mesma ideia da precisão em ML; não generalize esse percentual para outros parâmetros.
Pegadinha FCCMutuamente exclusivos ≠ independentes. Se A e B são mutuamente exclusivos (P(A ∩ B) = 0) e têm probabilidades positivas, eles são dependentes (saber que A ocorreu garante que B não ocorreu).
Mnemônico"E multiplica, OU soma (e tira a interseção)": "A e B" → produto (se independentes); "A ou B" → soma menos interseção.

9. Variáveis aleatórias e distribuições

E(aX + b) = a·E(X) + b           Var(aX + b) = a²·Var(X)
Var(X ± Y) = Var(X) + Var(Y) ± 2·Cov(X,Y)    (independentes: Cov = 0, e a variância SEMPRE soma)
DistribuiçãoUsoMédiaVariância
Bernoulli(p)1 ensaio sucesso/fracassopp(1 − p)
Binomial(n, p)nº de sucessos em n ensaios independentes; P(X = k) = C(n,k)·pk·(1 − p)n−knpnp(1 − p)
Poisson(λ)nº de eventos num intervalo; P(X = k) = e−λ·λk/k!λλ
Geométrica(p)nº de ensaios até o 1º sucesso1/p(1 − p)/p²
Hipergeométricasucessos em amostra sem reposição (N, K, n)n·K/Nn(K/N)(1 − K/N)(N − n)/(N − 1)
Uniforme contínua [a, b]densidade constante(a + b)/2(b − a)²/12
Exponencial(λ)tempo entre eventos de Poisson; sem memória1/λ1/λ²
Normal(μ, σ²)simétrica, em sinoμσ²
Qui-quadrado (k gl)soma de k normais padrão ao quadrado; testes de aderência/independênciak2k
t de Studentmédia com σ desconhecido e amostra pequena; caudas mais pesadas, tende à normal0 (gl > 1)gl/(gl − 2), gl > 2
F de Snedecorrazão de qui-quadrados divididos pelos gl; ANOVA e comparação de variânciasassimétrica à direita, só valores positivos

Gama e Beta: a Gama generaliza a exponencial (soma de exponenciais independentes); a Beta modela proporções em [0, 1], com média α/(α + β). A multinomial generaliza a binomial para mais de duas categorias.

Exemplos: binomial n = 3, p = 0,5: P(X = 2) = 3 · 0,52 · 0,5 = 0,375. Poisson λ = 2: P(X = 0) = e−2 ≈ 0,1353.

Normal e padronização

Z = (X − μ) / σ    ~  N(0, 1)
Regra empírica: μ ± 1σ ≈ 68%   μ ± 2σ ≈ 95%   μ ± 3σ ≈ 99,7%     (exato: ±1,96σ = 95%)

Exemplo: notas ~ N(100, 10²). P(X > 120)? Z = (120 − 100)/10 = 2 → P(Z > 2) ≈ 0,5 − 0,4772 = 2,28%.

Mnemônico"Poisson é o Peixe de média e variância iguais" (λ e λ). E "68-95-99,7", a escadinha da normal para 1, 2 e 3 desvios.
BizuTeorema Central do Limite: para n grande (regra prática n ≥ 30), a média amostral tem distribuição aproximadamente normal, com média μ e desvio-padrão σ/√n (o erro-padrão), qualquer que seja a distribuição da população (com variância finita).

10. Amostragem e estimação

ProbabilísticaComo funciona
Aleatória simplesTodos os elementos têm a mesma chance (sorteio)
EstratificadaDivide em estratos homogêneos internamente e sorteia em cada estrato
SistemáticaSorteia o início e pega de k em k (k = N/n)
Por conglomeradosDivide em grupos heterogêneos internamente (bairros, escolas) e sorteia grupos inteiros

Não probabilísticas: por conveniência, intencional (julgamento), por cotas, bola de neve. Não permitem calcular o erro amostral.

Pegadinha FCCEstratos são homogêneos por dentro e heterogêneos entre si; conglomerados, o contrário (cada um é uma "miniatura" da população). Na estratificada sorteiam-se elementos de todos os estratos; na por conglomerados, sorteiam-se alguns grupos.
Intervalo de confiança (σ conhecido):   x̄ ± z · σ/√n
Proporção:                               p̂ ± z · √(p̂(1 − p̂)/n)
Tamanho da amostra (média):              n = (z · σ / E)²
Tamanho da amostra (proporção, pior caso p = 0,5):  n = z² · 0,25 / E²

Exemplo: n = 100, x̄ = 50, σ = 10, 95% (z = 1,96): erro-padrão = 10/10 = 1 → IC = 50 ± 1,96 = [48,04; 51,96].

BizuPara reduzir o erro pela metade, a amostra precisa ser 4 vezes maior (o erro cai com √n). Aumentar a confiança (95% → 99%) alarga o intervalo. Estimadores: não viesado (E(θ̂) = θ), consistente, eficiente (menor variância).

11. Testes de hipóteses, p-valor e ANOVA

Decisão \ RealidadeH0 verdadeiraH0 falsa
Rejeitar H0Erro tipo I (prob. α = nível de significância)Acerto (poder = 1 − β)
Não rejeitar H0Acerto (1 − α)Erro tipo II (prob. β)
Mnemônico"Tipo I = Inocente condenado; tipo II = culpado solto" (H0 = "o réu é inocente"). Em TI: tipo I = falso positivo; tipo II = falso negativo.

p-valor: probabilidade de observar um resultado tão ou mais extremo que o obtido, supondo H0 verdadeira. Regra: p-valor < α → rejeita H0.

Pegadinha FCCO p-valor não é a probabilidade de H0 ser verdadeira. E "não rejeitar H0" não é "provar H0". Diminuir α (com n fixo) aumenta β; para reduzir ambos, aumente o tamanho da amostra.

12. Regressão linear e séries temporais

Regressão simples (MQO):  ŷ = a + b·x
  b = Σ(x − x̄)(y − ȳ) / Σ(x − x̄)²  = Cov(X,Y)/Var(X)        a = ȳ − b·x̄
  R² = SQReg / SQTotal ;  na regressão simples, R² = r²
  R² ajustado penaliza variáveis inúteis (usado na regressão múltipla)

Exemplo: x = 1, 2, 3, 4, 5; y = 2, 4, 5, 4, 5. x̄ = 3, ȳ = 4. Σ(x − x̄)(y − ȳ) = 4 + 0 + 0 + 0 + 2 = 6; Σ(x − x̄)² = 10 → b = 0,6; a = 4 − 0,6 · 3 = 2,2. ŷ = 2,2 + 0,6x. Σ(y − ȳ)² = 6 → r = 6/√60 ≈ 0,775 e R² = 0,60.

BizuInterpretação: b = "a cada unidade a mais de x, y varia em média b unidades". R² = 0,60 → 60% da variação de y é explicada pelo modelo. A reta sempre passa por (x̄, ȳ). Pressupostos dos resíduos: média zero, homocedasticidade, independência (sem autocorrelação), normalidade; na múltipla, ausência de multicolinearidade forte.

Séries temporais: componentes = tendência, sazonalidade, ciclo e ruído. Estacionariedade: média, variância e autocovariância constantes no tempo; séries não estacionárias costumam ser diferenciadas. ARIMA(p, d, q): p = ordem autorregressiva (AR), d = número de diferenciações (I), q = ordem de médias móveis (MA). A ACF (autocorrelação) e a PACF ajudam a identificar q e p.

Mnemônico"ARIMA = Auto-Regride, Integra, Média Anda": p (AR) olha valores passados, d (I) diferencia para estacionarizar, q (MA) olha erros passados. Ordem das letras = ordem dos parâmetros (p, d, q).

Modelagem e ML (supervisionado x não supervisionado, matriz de confusão, precisão, recall, F1, ROC/AUC, MAE, MSE, RMSE, overfitting, Ridge x Lasso, k-means, PCA): veja IA e Machine Learning.

Teste rápido

1. Capital de R$ 2.000 a juros compostos de 10% a.m. por 2 meses. Montante?

R$ 2.420. 2.000 · 1,1² = 2.000 · 1,21. Em juros simples seriam R$ 2.400.

2. Taxa nominal de 36% a.a. com capitalização mensal: qual a taxa efetiva mensal?

3% a.m. Nominal converte-se proporcionalmente: 36/12. A efetiva anual seria (1,03)12 − 1 ≈ 42,58%, maior que 36%.

3. Rendimento aparente de 26,5% e inflação de 10% no período. Taxa real?

15%. 1,265 / 1,10 = 1,15. Subtrair (16,5%) é o erro clássico.

4. Título de R$ 5.000 descontado 4 meses antes, desconto comercial simples a 2,5% a.m. Valor líquido?

R$ 4.500. D = 5.000 · 0,025 · 4 = 500; A = 4.500.

5. Financiamento de R$ 20.000 pelo SAC, 10 parcelas, 2% a.m. Qual a 1ª prestação?

R$ 2.400. Amortização = 2.000; juros = 20.000 · 0,02 = 400; prestação = 2.400. A 2ª seria 2.000 + 18.000 · 0,02 = 2.360.

6. Comparando SAC e Price com mesmo valor, prazo e taxa: qual paga menos juros totais?

SAC. Amortiza mais cedo, o saldo devedor cai mais rápido e os juros (saldo × i) são menores.

7. Distribuição com média 50, mediana 45 e moda 40. Qual a assimetria?

Positiva (à direita). Média > mediana > moda: a cauda à direita puxa a média para cima.

8. Se todos os salários forem multiplicados por 1,1, o que acontece com a variância?

É multiplicada por 1,21. Var(kX) = k²·Var(X). O desvio-padrão é multiplicado por 1,1 e o CV não muda.

9. A e B independentes, P(A) = 0,4 e P(B) = 0,5. Calcule P(A ∪ B).

0,7. 0,4 + 0,5 − 0,4·0,5 = 0,9 − 0,2 = 0,7.

10. Rejeitar H0 quando ela é verdadeira é qual erro, e qual sua probabilidade?

Erro tipo I, com probabilidade α. O erro tipo II (β) é não rejeitar H0 falsa; o poder é 1 − β.

11. Para reduzir à metade a amplitude de um intervalo de confiança (mesmo nível), o que fazer com n?

Quadruplicar n. A amplitude é proporcional a 1/√n; √4 = 2.

12. Na regressão simples, r = −0,8. Quanto vale R² e o que significa o sinal?

R² = 0,64; relação linear inversa. 64% da variação de y é explicada por x; b tem o mesmo sinal de r (negativo).