Língua Portuguesa

P1 · 10 questões × peso 1 = 10 pontos · prioridade: média
Visão do professorPriorize compreensão, relações entre ideias e reescrita. Concordância, regência, crase e pontuação devem ser aplicadas à frase, não apenas recitadas como regras. Em cada alternativa, confira separadamente correção gramatical e manutenção do sentido. Comece por interpretação, conectivos e concordância e amplie a revisão conforme seus erros. Não atribuo percentual de incidência sem levantamento de provas: essa ordem é uma estratégia de aprendizagem, não garantia de cobertura da avaliação.

Entenda do zero · Língua Portuguesa

Comece pelo sentido da frase. Depois observe como as palavras se relacionam para construir esse sentido.

1. Entender o texto não é concordar com ele

Na interpretação, a resposta precisa se apoiar no texto, não na sua opinião sobre o assunto. Procure a ideia principal e a função de cada trecho: explicar, exemplificar, contrastar ou concluir. Uma inferência é uma conclusão sustentada pelas informações do texto, não uma hipótese inventada para completá-lo.

2. Ache o sujeito e o verbo

O sujeito é o termo com o qual o verbo normalmente concorda. Em “Os relatórios da secretaria chegaram”, o núcleo do sujeito é “relatórios”, não “secretaria”. Por isso o verbo vai ao plural. Encontrar o núcleo ajuda a não se distrair com palavras próximas ao verbo. Há também orações sem sujeito, como “Há problemas”.

3. Regência explica a ligação entre palavras

Alguns verbos exigem preposição em determinados sentidos. Quem se refere, refere-se a algo. Se esse “a” encontra o artigo feminino “a”, pode ocorrer crase: “O texto se refere à norma”. O acento grave marca a fusão; não é um enfeite colocado antes de toda palavra feminina.

Na prática · crase com raciocínio“O servidor se referiu à portaria.” Troque o termo feminino por um masculino equivalente: “O servidor se referiu ao regulamento”. O “ao” ajuda a enxergar a preposição e o artigo. Já em “O servidor analisou a portaria”, o verbo analisar não exige essa preposição: não há crase.

4. Pontuação e conectivos mudam a relação entre ideias

Não separe sujeito e verbo por vírgula só porque a frase é longa. Use a pontuação para organizar as estruturas. Compare “estudou, mas errou” com “estudou, portanto acertou”: “mas” marca oposição; “portanto”, conclusão. Em reescritas, uma frase pode continuar gramaticalmente correta e mudar o sentido original.

Confira se entendeu: “A lista de documentos foram enviada” está correta?

Não. O núcleo do sujeito é “lista”, no singular: “A lista de documentos foi enviada”. O plural de “documentos” não comanda essa concordância.

A seguir, aplique essa leitura às regras e às reescritas de prova.

Interpretação, tipologia e discurso

A FCC usa enunciados com verbos que indicam o grau de liberdade permitido:

ComandoO que pedeComo agir
"Segundo o texto", "de acordo com o autor"Compreensão: o que está escritoProcure a paráfrase literal; desconfie de alternativa que acrescenta informação
"Depreende-se", "infere-se", "conclui-se"Interpretação: conclusão autorizada pelo textoA inferência precisa ser necessária, não apenas possível
"No contexto", "considerado o contexto"Sentido da palavra naquela fraseSubstitua na frase e releia; o sentido de dicionário pode não servir
Pegadinha FCCAs três armadilhas clássicas de alternativa errada: extrapolação (vai além do texto), redução (toma a parte pelo todo) e contradição (afirma o oposto com palavras do próprio texto). Palavras absolutas como "sempre", "nunca", "exclusivamente", "todos" costumam denunciar extrapolação.

Tipologia e gêneros

TipoMarcaGêneros típicos
NarrativoFatos em sequência temporal, personagens, verbos no pretérito perfeitoConto, crônica narrativa, notícia
DescritivoCaracterização, adjetivos, verbos de estado, pretérito imperfeitoRetrato, laudo, classificado
Dissertativo-argumentativoTese + argumentos + conclusão; quer convencerArtigo de opinião, editorial, ensaio
ExpositivoExplica sem tomar partidoVerbete, texto didático, relatório
Injuntivo (instrucional)Imperativo, passo a passoManual, receita, edital
BizuDenotação = sentido literal, de dicionário ("o cofre de aço"). Conotação = sentido figurado, contextual ("ele é um cofre", isto é, guarda segredos). Questão FCC: "a palavra X foi empregada em sentido figurado em..." Procure a frase em que o sentido literal produziria um absurdo.

Discurso direto, indireto e indireto livre

Discurso diretoDiscurso indireto
Presente ("vou")Pretérito imperfeito ("ia")
Pretérito perfeito ("fiz")Mais-que-perfeito ("fizera" ou "tinha feito")
Futuro do presente ("farei")Futuro do pretérito ("faria")
Imperativo ("faça")Pretérito imperfeito do subjuntivo ("que fizesse")
1ª pessoa / este / aqui / hoje / amanhã3ª pessoa / aquele / ali, lá / naquele dia / no dia seguinte
BizuIntertextualidade é o diálogo de um texto com outro: citação (explícita, com aspas), paráfrase (recria mantendo o sentido), paródia (recria subvertendo, com tom crítico ou humorístico), epígrafe e alusão. "Relação com o contexto histórico" aparece quando o texto cita época, costume ou acontecimento: a FCC pergunta se determinada ideia faz sentido naquele tempo.

Figuras de linguagem

FiguraO que éExemplo
MetáforaComparação implícita, sem conectivo"A burocracia é um labirinto."
Comparação (símile)Comparação com conectivo (como, tal qual)"A burocracia é como um labirinto."
MetonímiaTroca por relação de proximidade (autor pela obra, continente pelo conteúdo, marca pelo produto)"Leu Machado"; "bebeu dois copos"
CatacreseMetáfora desgastada por falta de termo próprio"pé da mesa", "braço da cadeira"
HipérboleExagero intencional"Já disse isso um milhão de vezes."
EufemismoSuaviza ideia desagradável"Ele nos deixou" (morreu)
IroniaDiz o contrário do que pensa"Que pontualidade: chegou só três horas atrasado."
AntíteseIdeias opostas aproximadas"Entre o riso e o choro"
Paradoxo (oxímoro)Ideias opostas na mesma realidade, gerando aparente absurdo"É dor que desatina sem doer"
Prosopopeia (personificação)Atributo humano a ser inanimado"O mercado reagiu nervoso."
SinestesiaMistura de sentidos"voz macia", "cor gritante"
GradaçãoSequência crescente ou decrescente"Chegou, viu, venceu."
Elipse / ZeugmaOmissão de termo facilmente subentendido / omissão de termo já dito"Eu prefiro dados; ela, gráficos."
Pleonasmo / Anáfora / PolissíndetoRedundância expressiva / repetição no início de versos ou frases / repetição de conectivo"E corre, e salta, e grita"
Pegadinha FCCAntítese x paradoxo: na antítese os opostos convivem sem contradição lógica ("o bem e o mal"); no paradoxo eles se afirmam ao mesmo tempo da mesma coisa ("estou só no meio da multidão"). Metáfora x comparação: se houver "como", "tal qual", "feito", é comparação.

Conectivos e valor semântico

É o tema mais rentável: a FCC pergunta o valor de um conectivo ou se outro pode substituí-lo "sem prejuízo do sentido e da correção".

ValorConectivosObservação
Adiçãoe, nem, não só... mas também, além de"nem" já é negativo: evite "e nem" em registro formal
Adversidade (oposição)mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstanteCoordenação: verbo no indicativo
Concessãoembora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, apesar de (que)Subordinação: verbo no subjuntivo ("embora seja")
Conclusãologo, portanto, por isso, por conseguinte, assim, pois (posposto ao verbo)"Estudou; merece, pois, a vaga."
Explicaçãopois (anteposto), porque, que, porquantoNormalmente após oração imperativa ou opinativa
Causaporque, visto que, já que, uma vez que, como (no início), porquanto"Como chovia, ficamos."
Condiçãose, caso, desde que (+subjuntivo), contanto que, a menos que"Caso" pede subjuntivo: "caso ele venha" (nunca "caso ele vier")
Conformidadeconforme, consoante, segundo, como"Fez como mandava o edital."
Consequência(tão, tal, tanto)... que, de modo que, de sorte que, de forma queResultado de algo intenso
Finalidadepara que, a fim de que, que"a fim de" (finalidade) é diferente de "afim" (semelhante)
Proporçãoà medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais... (tanto) mais"ao passo que" também pode indicar contraste
Tempoquando, enquanto, assim que, logo que, desde que (+indicativo), mal"Mal chegou, saiu."
Comparaçãocomo, que, do que, tal qual, assim como
Pegadinha FCC"À medida que" = proporção. "Na medida em que" = causa. Formas erradas: "à medida em que" e "na medida que". Na troca entre elas, o sentido muda.
Pegadinha FCCTrocar "mas" por "embora" exige ajustes: "O prazo era curto, mas a equipe entregou" vira "Embora o prazo fosse curto, a equipe entregou". O "embora" se prende à ideia que é concedida (o prazo curto), não à que prevalece. Se a alternativa troca o conectivo e mantém o indicativo ("embora era"), está errada.
Bizu"Desde que" tem dois valores: com indicativo é tempo ("desde que cheguei, trabalho"); com subjuntivo é condição ("aprovo, desde que você revise"). O mesmo vale para "como": causa (no início), conformidade e comparação. Leia o contexto, nunca decore só a palavra.

Coordenação x subordinação

Mnemônico"ISSO" para substantivas, "O QUAL" para adjetivas. Se o "que" pode ser trocado por "o qual / a qual" sem quebrar a frase, é pronome relativo (adjetiva). Se a oração toda pode ser trocada por "isso", é conjunção integrante (substantiva).

Crase

Crase = fusão da preposição a com o artigo feminino a(s) ou com o "a" inicial de aquele(s), aquela(s), aquilo, a qual, as quais. Só existe se houver as duas coisas: alguém exige a preposição e a palavra seguinte aceita o artigo.

MnemônicoTroca pelo masculino: se no masculino aparece "ao", no feminino há crase. "Fui à reunião" → "Fui ao encontro".
Vou a, volto da: crase há. Vou a, volto de: crase pra quê? Serve para nomes de lugar: "Vou à Bahia" (volto da Bahia); "Vou a Campinas" (volto de Campinas).
ObrigatóriaProibidaFacultativa
Locuções adverbiais femininas: às vezes, à noite, às pressas, à vista, à toa
Locuções prepositivas: à custa de, à frente de, à espera de
Locuções conjuntivas: à medida que, à proporção que
Horas determinadas: às 14h, à uma hora
"À moda de" (mesmo oculta): bife à milanesa, gol à Pelé
a + aquele/aquela/aquilo: "refiro-me àquilo"
Antes de palavra masculina (salvo "à moda de")
Antes de verbo: "a partir de", "começou a chover"
Antes de pronomes pessoais e da maioria dos de tratamento (Vossa Excelência)
Antes de esta/essa, indefinidos (qualquer, cada, toda) e "uma" indefinido
Entre palavras repetidas: cara a cara, frente a frente
"a" singular diante de plural: "falou a pessoas", "a reuniões"
Antes de possessivo feminino singular: à/a minha equipe
Antes de nome próprio feminino de pessoa: à/a Maria
Depois de "até": até à/até a porta
Pegadinha FCC"Casa" e "terra": sem determinante, nada de crase ("voltou a casa cedo"; "os marinheiros desceram a terra"). Com determinante, crase volta: "voltou à casa dos pais"; "voltou à terra natal". O mesmo vale para "distância": só há crase se a distância estiver determinada ("à distância de cem metros").
Pegadinha FCCSingular x plural: "Dirigiu-se às autoridades" (a + as) está certo; "dirigiu-se à autoridades" está errado (artigo singular com substantivo plural). E "a" sozinho antes de plural indica apenas preposição: "falou a autoridades estrangeiras" (sem artigo, sem crase).
BizuCrase também depende da regência. "O cargo a que aspiro" não tem crase porque "que" não aceita artigo; já "a vaga à qual aspiro" tem (aspirar a + a qual). Questão FCC combina as duas matérias: veja o verbo e depois o termo seguinte.

Concordância verbal

Regra geral: o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. A FCC explora os casos em que o sujeito "se esconde".

CasoCertoErrado
Haver = existir, ocorrer, ou indicando tempo: impessoal (3ª singular), e contamina o auxiliarHouve problemas. Deve haver soluções. Há anos não o vejo.Houveram problemas. Devem haver soluções.
Existir, ocorrer, acontecer, restar, faltar: pessoais, concordam com o sujeitoExistem soluções. Devem existir soluções. Faltam dez dias.Existe soluções. Falta dez dias.
Fazer indicando tempo: impessoalFaz dez anos. Vai fazer dois meses.Fazem dez anos. Vão fazer dois meses.
Sujeito posposto: continua sendo sujeitoAinda faltam três etapas. Chegaram os relatórios.Ainda falta três etapas.
Voz passiva sintética (VTD + se): verbo concorda com o sujeito pacienteVendem-se imóveis. Analisaram-se os dados.Vende-se imóveis.
Índice de indeterminação (VTI/VI + se): fica no singularPrecisa-se de técnicos. Trata-se de questões graves.Precisam-se de técnicos. Tratam-se de questões.
Mais de um: singular (salvo reciprocidade ou repetição)Mais de um candidato recorreu.Mais de um candidato recorreram.
Mais de dois, cerca de, perto de: concorda com o numeralMais de dois candidatos recorreram. Cerca de mil pessoas vieram.
Porcentagem: com o numeral ou com o termo especificado; se houver determinante antes, concorda com ele1% dos alunos faltou/faltaram. 30% da verba foi/foram... Os 30% restantes foram...Os 30% restantes foi...
Coletivo partitivo + especificador (a maioria de, grande parte de)A maioria dos servidores aprovou/aprovaram.
Pronome relativo "que": verbo concorda com o antecedenteFui eu que fiz. Foram eles que assinaram.Fui eu que fez.
"Quem": 3ª singular ou concorda com o antecedenteFui eu quem fez / quem fiz.
"Um dos que": plural é a forma preferidaEle foi um dos que mais contribuíram.
Ser em horas, datas e distâncias: concorda com o numeralSão duas horas. É uma hora. É meio-dia.É duas horas.
Pegadinha FCCO clássico absoluto: "Devem haver". Quando "haver" é impessoal, o verbo auxiliar também fica no singular. Teste rápido: troque "haver" por "existir". Se der "devem existir", com "haver" fica "deve haver".
Pegadinha FCCA FCC coloca o sujeito longe ou depois do verbo, intercalado por oração: "Cabe aos gestores, conforme dispõe a norma interna aprovada em reunião, as decisões sobre o tema". Errado: o sujeito é "as decisões", logo "Cabem aos gestores (...) as decisões". Na prova, pergunte ao verbo "o que / quem?" e ache o núcleo do sujeito.
BizuPassiva sintética x indeterminação: olhe se há preposição depois do verbo. Sem preposição (VTD) = passiva, verbo varia ("alugam-se salas"). Com preposição (VTI) = indeterminação, verbo fica no singular ("necessita-se de salas"). Em locução verbal, a forma mais segura é flexionar o auxiliar: "Devem-se considerar os riscos".
BizuSujeito composto: antes do verbo, plural obrigatório ("O diretor e o auditor assinaram"). Depois do verbo, plural ou concordância com o mais próximo ("Assinou/Assinaram o diretor e o auditor"). Núcleos ligados por "com" pedem plural na leitura de adição ("O diretor com o auditor assinaram").

Concordância nominal

PalavraRegraExemplo
anexo, incluso, obrigado, mesmo, próprio, quite, lesoAdjetivos: concordam com o substantivoSeguem anexas as planilhas. Elas mesmas disseram. "Muito obrigada", disse ela.
em anexoInvariávelSeguem em anexo as planilhas.
bastanteAdjetivo (= suficientes, muitos) varia; advérbio (modifica adjetivo ou verbo) não variaBastantes provas. Provas bastante difíceis.
meioNumeral (= metade) varia; advérbio (= um pouco) não variaMeia hora. Ela ficou meio cansada.
menos, alerta, pseudoInvariáveisMenos pessoas. Ficaram alerta.
só= sozinho varia; = somente não variaEles ficaram sós. Só eles ficaram.
é proibido, é necessário, é bomSem determinante: invariável; com determinante: concordaÉ proibido entrada. É proibida a entrada. Água é bom.
adjetivo posposto a vários substantivosConcorda com o mais próximo ou vai ao plural (masculino, se houver gênero misto)Língua e cultura portuguesa / portuguesas; servidor e servidora dedicados
adjetivo anteposto a vários substantivosConcorda com o mais próximoExcelente trabalho e dedicação
Pegadinha FCC"Os documentos seguem anexo" está errado (anexos). "Elas estavam meias preocupadas" está errado (meio, advérbio). "Havia menas pessoas" não existe.

Regência verbal e nominal

VerboSentido e regênciaExemplo
AssistirVer, presenciar: VTI (a). Ajudar, prestar assistência: VTD. Caber, competir (direito): VTI (a). Morar: VI (em)Assistimos ao jogo. O médico assistiu o paciente. Assiste ao réu o direito de recorrer.
VisarPretender, ter em vista: VTI (a). Mirar ou dar visto: VTDA medida visa ao equilíbrio fiscal. O fiscal visou o documento.
AspirarDesejar, almejar: VTI (a), não aceita "lhe" (use "a ele"). Sorver, inalar: VTDAspira ao cargo; aspira a ele. Aspirou o ar puro.
ImplicarAcarretar: VTD (sem "em")A decisão implica riscos. (Errado: implica em riscos)
PreferirVTDI: preferir algo a algo. Sem "mais", sem "do que"Prefiro Python a Java. (Errado: prefiro mais Python do que Java)
Obedecer / desobedecerVTI (a); admitem voz passiva, por exceçãoObedeça ao regulamento. Obedeça-lhe.
Chegar, ir, voltarVerbos de movimento: preposição a (não "em")Chegou ao escritório. Vou à reunião. (Errado: chegou no escritório)
Esquecer / lembrarPronominais pedem "de"; não pronominais, VTDEsqueci o prazo. Esqueci-me do prazo. (Errado: esqueci do prazo)
Pagar / perdoarCoisa = OD; pessoa = OI (a)Pagou a dívida ao banco. Perdoou-lhe a falta.
Informar, avisar, comunicarAlgo a alguém ou alguém de/sobre algo (comunicar: só algo a alguém)Informou o prazo aos candidatos / informou os candidatos do prazo.
ProcederRealizar, dar início: VTI (a). Originar-se: VTI (de). Ter fundamento: VIProcedeu-se à auditoria. A reclamação não procede.
AgradarSatisfazer: VTI (a). Acariciar: VTDA proposta agradou aos conselheiros.
Namorar, simpatizarNamorar: VTD. Simpatizar: VTI (com), não pronominalNamora a colega. Simpatizo com ela. (Errado: me simpatizo)
CustarSer difícil: a coisa difícil é o sujeito; a pessoa é OICustou-me entender a norma. (Errado: eu custei a entender)
Mnemônico"AVA" pede "A": Assistir (ver), Visar (pretender), Aspirar (desejar). Nos três, no sentido "abstrato", o verbo é transitivo indireto com "a". No sentido concreto (ajudar, mirar, inalar), é direto.
Pegadinha FCCRegência com pronome relativo: a preposição exigida pelo verbo da oração adjetiva vai para antes do relativo. "O filme a que assisti" (assistir a); "o cargo a que aspira"; "a pessoa de quem gosto"; "as normas com que concordamos"; "a reunião de que participei". A FCC adora "o filme que assisti" (errado).
BizuRegência nominal mais cobrada: acessível a; compatível com; preferível a (nunca "preferível do que"); residente / situado em; alheio a; ansioso por/para; apto a/para; imune a/de; contíguo a; passível de. "Obediência às normas" exige crase porque "obediência" pede "a".

Pronomes: relativos, demonstrativos e colocação

Pronomes relativos

Pegadinha FCC"Foi uma reunião onde se discutiu o orçamento" é desvio da norma: reunião não é lugar físico. Correto: "uma reunião em que (na qual) se discutiu". E "o autor cujo livro gosto" está errado: gostar pede "de", logo "o autor de cujo livro gosto".
BizuEste, esse, aquele no texto: esse retoma o que já foi dito (anafórico); este anuncia o que vai ser dito (catafórico): "O problema é este: falta de dados." Numa enumeração de dois termos, este retoma o mais próximo e aquele o mais distante: "Estudo Direito e TI; esta me sustenta, aquele me aprova."
BizuPronomes de tratamento: verbo e possessivos na 3ª pessoa. "Vossa Excelência apresentou seu parecer" (nunca "vosso"). "Vossa" quando se fala com a autoridade; "Sua" quando se fala sobre ela. E "para eu fazer" (sujeito de infinitivo) x "entre mim e você" (após preposição).

Colocação pronominal

PosiçãoQuando usarExemplo
Próclise (antes do verbo)Quando há palavra atrativa: negação (não, nunca, ninguém), advérbio sem vírgula, pronome relativo, indefinido, interrogativo, conjunção subordinativa, frases optativas, "em + gerúndio"Não se discutiu. Que me disseram. Quando o vi. Deus te ajude. Em se tratando de dados...
Mesóclise (no meio)Futuro do presente e do pretérito sem palavra atrativaFar-se-á a revisão. Dir-lhe-ia a verdade.
Ênclise (depois)Início de frase, imperativo afirmativo, gerúndio sem "em", infinitivo impessoal, após pausaEntregaram-me o laudo. Faça-o logo. Saiu deixando-nos.
Pegadinha FCCTrês proibições: (1) não se inicia frase com pronome oblíquo átono na norma culta ("Me disseram" é desvio); (2) nunca ênclise com futuro ("farei-o", "faria-o" estão errados: "fá-lo-ei", "fá-lo-ia", ou próclise se houver atrativo); (3) nunca ênclise com particípio ("tinha dado-lhe" é errado: "tinha-lhe dado" ou "lhe tinha dado").
BizuPronome o/a após verbo terminado em r, s, z: cai a consoante e vira lo, la ("fazer + o = fazê-lo"; "fiz + o = fi-lo"; "analisamos + os = analisamo-los"). Após som nasal (m, ão, õe): no, na ("dão + o = dão-no"; "fizeram + a = fizeram-na").

Pontuação

MnemônicoOrdem direta (SVC) não leva vírgula: Sujeito + Verbo + Complementos + Adjunto adverbial. Toda vírgula dentro dessa ordem precisa de justificativa (deslocamento, intercalação, enumeração, aposto, vocativo). Nunca separe S de V, nem V de C.
Vírgula proibidaVírgula obrigatóriaVírgula facultativa
Entre sujeito e verbo (mesmo sujeito longo)
Entre verbo e objeto direto ou indireto
Entre nome e complemento nominal ou adjunto adnominal
Antes de oração adjetiva restritiva
Antes de oração subordinada substantiva (exceto apositiva, que leva dois-pontos ou vírgula)
Aposto explicativo e vocativo
Adjunto adverbial longo deslocado
Orações adjetivas explicativas
Conjunções intercaladas ou pospostas (porém, contudo, portanto, pois conclusivo)
Elipse do verbo (zeugma): "Eu prefiro dados; ela, gráficos."
Termos de mesma função em enumeração
Expressões explicativas (isto é, ou seja, por exemplo)
Adjunto adverbial curto deslocado ("Hoje(,) haverá prova")
Antes de "e" com sujeitos diferentes (recomendada)
Oração adverbial curta anteposta
Pegadinha FCCSujeito longo: "Os servidores que participaram do treinamento de ciência de dados oferecido pela Secretaria, receberão certificado". A vírgula está errada: separa sujeito e verbo. É o erro de pontuação mais cobrado.
Pegadinha FCCRestritiva x explicativa muda o sentido. "Os auditores que encontraram falhas foram elogiados" (só alguns auditores). "Os auditores, que encontraram falhas, foram elogiados" (todos encontraram). Questão FCC: "a retirada das vírgulas mantém o sentido?" A resposta é não.
BizuOutros sinais: ponto e vírgula separa itens de enumeração longa ou orações coordenadas que já têm vírgulas internas, e pode anteceder conjunção adversativa ou conclusiva deslocada. Dois-pontos anunciam enumeração, explicação, citação ou consequência. Travessões duplos e parênteses podem substituir vírgulas que isolam termo intercalado, sem mudar o sentido. Na FCC, trocar vírgulas de intercalação por travessões ou parênteses quase sempre é aceito.

Vozes verbais e transposição

VozEstruturaExemplo
AtivaSujeito agente pratica a açãoA comissão analisou os recursos.
Passiva analíticaser (ou estar, ficar) + particípio + agente da passivaOs recursos foram analisados pela comissão.
Passiva sintética (pronominal)VTD + se, sem agente expressoAnalisaram-se os recursos.
ReflexivaSujeito pratica e sofre a açãoO servidor feriu-se.
MnemônicoTransposição em 4 passos: (1) o objeto direto vira sujeito; (2) o sujeito vira agente da passiva ("por/pelo"); (3) o verbo "ser" vai para o mesmo tempo e modo do verbo da ativa; (4) o verbo principal vai para o particípio, concordando com o novo sujeito. "Analisará" (futuro) → "será analisado"; "analisava" → "era analisado"; "tinha analisado" → "tinha sido analisado"; "deve analisar" → "deve ser analisado".
Pegadinha FCCSó vai para a passiva verbo transitivo direto (ou VTDI). "Assistiram ao filme" não admite "o filme foi assistido" na norma culta, porque "assistir" (ver) é VTI. A exceção tradicional é "obedecer": "As normas são obedecidas". E cuidado com a concordância do particípio: "As propostas foram analisadas" (feminino plural).

Tempos, modos, correlação e flexão verbal

Oração 1Oração 2Exemplo
Pretérito imperfeito do subjuntivoFuturo do pretéritoSe o sistema funcionasse, a equipe entregaria.
Futuro do subjuntivoFuturo do presente (ou presente)Se o sistema funcionar, a equipe entregará. Quando puder, ligarei.
Presente do indicativoPresente do subjuntivoEspero que ele venha.
Pretérito (perfeito ou imperfeito) do indicativoPretérito imperfeito do subjuntivoEsperava que ele viesse. Pediu que todos saíssem.
Mais-que-perfeito composto do subjuntivoFuturo do pretérito compostoSe tivesse estudado, teria passado.
Pegadinha FCC"Se ele estudar, passaria" quebra a correlação. As duplas são fixas: -sse com -ria (estudasse/passaria) e -r com -rá (estudar/passará). Reescrita que troca só um dos verbos está errada.

Verbos irregulares que a FCC ama

VerboConjuga comoFormas cobradas
intervir, convir, provirvirele interveio, eles intervieram, se ele intervier (nunca "interviu", "intervir")
manter, deter, obter, reter, conterterse ele mantiver, eles detiveram, quando obtivermos
supor, compor, propor, imporpôrse ele supuser, quando propusermos
ver, prever, reververse eu vir, quando ele previr, se nós revirmos
requerernão segue "querer" no presente e no pretéritoeu requeiro, ele requereu (nunca "requis")
reaverdefectivo (formas em que "haver" tem v)nós reavemos, ele reouve; não existe "reavejo"
BizuFuturo do subjuntivo dos derivados sai da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito menos "-ram": vieram → vier; tiveram → tiver; puseram → puser; viram → vir. "Se o auditor ver o erro" está errado: "se o auditor vir".

Ortografia, acentuação e formação de palavras

Acentuação (pós-Acordo Ortográfico)

RegraAcentuaNão acentua mais
ProparoxítonasTodas: público, análise, técnico
Paroxítonas terminadas em l, n, r, x, ps, i(s), us, um/uns, ã(s), ão(s), ditongoútil, hífen, caráter, tórax, bíceps, júri, vírus, álbum, órfã, órgão, série, históriaParoxítonas terminadas em a, e, o, em, ens (casa, item, itens)
Oxítonas terminadas em a, e, o, em, ens (e monossílabos tônicos em a, e, o)sofá, você, avô, também, parabéns, pá, pé, pó
Ditongos abertos éi, ói, éuEm oxítonas e monossílabos: papéis, herói, chapéu, céuEm paroxítonas: ideia, heroico, assembleia, jiboia
Hiato com i/u tônico sozinho na sílaba (ou com s)saída, baú, juízes, paísSeguido de nh (rainha); após ditongo em paroxítona (feiura, baiuca)
Hiatos ee, oocreem, leem, veem, voo, enjoo
Diferenciaispôde (passado) x pode; pôr (verbo) x por; têm/vêm (plural)pelo, para, pera, polo (sem acento); "fôrma" é facultativo
Pegadinha FCCEle tem / eles têm; ele vem / eles vêm. Derivados: ele mantém / eles mantêm; ele intervém / eles intervêm. E ler, crer, ver, dar no plural: leem, creem, veem, deem (sem acento desde o Acordo).

Grafias que caem

FormaUso
por que / por quê / porque / porquêPergunta ou "pelo qual" / pergunta no fim / causa ou explicação / substantivo ("o porquê")
mal / mauOposto de bem / oposto de bom
a fim de / afimFinalidade / semelhante, afinidade
senão / se nãoCaso contrário, exceto / "se" condicional + "não"
acerca de / a cerca de / há cerca deSobre / distância aproximada / tempo decorrido aproximado
há / a (tempo)Passado ("há dois anos") / futuro ou distância ("daqui a dois anos")
tampouco / tão poucoTambém não / muito pouco
BizuHífen com prefixos (regra prática): vogal igual = hífen (micro-ondas, anti-inflamatório); vogais diferentes = junto (autoescola, infraestrutura, extraoficial); prefixo terminado em vogal + r ou s = dobra a consoante e junta (antirracismo, ultrassom, minissaia); diante de h = hífen (anti-higiênico, super-herói). "Co-" costuma juntar: coordenar, cooperar, coautor.

Formação de palavras

ProcessoDefiniçãoExemplos
Derivação prefixal / sufixalAcréscimo de prefixo / sufixodesfazer / felizmente
Prefixal e sufixalPrefixo e sufixo, mas cada um isoladamente forma palavradeslealdade (existem "desleal" e "lealdade")
ParassintéticaPrefixo e sufixo simultâneos; sem um deles a palavra não existeentardecer, emudecer, enriquecer
RegressivaRedução da palavra primitiva (substantivos deverbais)combate (de combater), ajuda, pesca
Imprópria (conversão)Mudança de classe gramatical sem alterar a formao jantar, o porquê, um não
Composição por justaposiçãoRadicais unidos sem perda de somgirassol, passatempo, guarda-chuva
Composição por aglutinaçãoRadicais unidos com perda de fonemaplanalto, aguardente, fidalgo
HibridismoElementos de línguas diferentesautomóvel (grego + latim), sociologia, televisão
BizuSinonímia e antonímia na FCC aparecem como "substituir a palavra X por Y sem alterar o sentido". Teste na frase, considerando regência: "visar o lucro" (VTD) não é "pretender o lucro" com a mesma construção se o verbo trocado exigir preposição. Para flexão nominal, lembre plurais de compostos: guarda-chuvas (verbo + substantivo: só o segundo varia), segundas-feiras, salários-família (o segundo especifica o primeiro: só o primeiro varia).

Teste rápido

1. "Ainda devem haver soluções para o déficit, segundo o relatório." A frase está correta?

Errado. "Haver" no sentido de existir é impessoal e transmite a impessoalidade ao auxiliar: "Ainda deve haver soluções". Com "existir" seria "devem existir".

2. "Faziam dez anos que o sistema não era atualizado." Correto?

Errado. "Fazer" indicando tempo decorrido é impessoal: "Fazia dez anos".

3. "Precisam-se de analistas de dados" e "Contratam-se analistas de dados". Quais estão corretas?

Só a segunda. "Precisar de" é VTI: o "se" é índice de indeterminação e o verbo fica no singular ("Precisa-se de analistas"). "Contratar" é VTD: passiva sintética, verbo concorda com "analistas".

4. "Refiro-me à essa proposta e àquela apresentada ontem." Há erro de crase?

Sim. Não há crase antes de "essa" (demonstrativo não aceita artigo): "refiro-me a essa proposta". Já "àquela" está correto (a + aquela).

5. "Este é o cargo que todos aspiram." Correto?

Errado. "Aspirar" no sentido de almejar é VTI (a), e a preposição vai antes do relativo: "o cargo a que todos aspiram" ou "ao qual todos aspiram".

6. "Os servidores, que concluíram o curso, receberam certificado." A retirada das vírgulas preserva o sentido?

Não. Com vírgulas, a oração é explicativa (todos os servidores concluíram o curso). Sem vírgulas, vira restritiva (apenas os que concluíram receberam). O sentido muda.

7. "Embora o prazo fosse curto, a equipe entregou o projeto." Reescrita: "O prazo era curto, mas a equipe entregou o projeto." Mantém sentido e correção?

Certo. A concessiva com "embora" + subjuntivo vira adversativa com "mas" + indicativo, e a ideia que prevalece (a entrega) continua após o conectivo de oposição.

8. "A adoção do novo sistema implica em custos de treinamento." Correto pela norma-padrão?

Errado. "Implicar" no sentido de acarretar é VTD: "implica custos".

9. "Não farei-o sem autorização" e "Far-se-á a revisão amanhã". Avalie a colocação.

Primeira errada, segunda certa. Há atrativo ("não") e o verbo está no futuro: próclise obrigatória, "Não o farei". Ênclise com futuro nunca. Sem atrativo e com futuro em início de frase, a mesóclise está correta.

10. Voz ativa: "A comissão analisará os recursos." Passiva: "Os recursos serão analisados pela comissão." Correta?

Certo. O objeto direto virou sujeito, o sujeito virou agente da passiva, "ser" está no futuro do presente (mesmo tempo de "analisará") e o particípio concorda com "os recursos".

11. "Se o auditor ver qualquer inconsistência, deverá registrá-la." Correto?

Errado. O futuro do subjuntivo de "ver" é "vir": "Se o auditor vir". O "registrá-la" está correto (r + a = la).

12. "A arrecadação cresce na medida em que a economia se aquece" e "à medida que a economia se aquece". As duas frases têm o mesmo sentido?

Não. "Na medida em que" indica causa (cresce porque a economia se aquece); "à medida que" indica proporção (cresce conforme a economia se aquece). As duas formas estão corretas, mas com valores diferentes.