Administração Geral, Pública e Auditoria Governamental

P1 · 8 questões × peso 1 = 8 pontos · prioridade: baixa (revisão dirigida)
Visão do professorOrganize Administração pela pergunta como alcançar objetivos e Auditoria por como avaliar atuação e controles. Comece pelos indicadores de desempenho, tipos de auditoria e referenciais de risco; depois amplie para teorias, estrutura e pessoas. Associe autores e modelos ao problema que procuram explicar, em vez de decorar listas isoladas. Confira versões de COSO, Três Linhas e normas profissionais: listas de edições distintas não são intercambiáveis. Amplie a revisão conforme seu caderno de erros.

Entenda do zero · Administração e Auditoria

Administrar é coordenar recursos e pessoas para alcançar objetivos. Auditar é avaliar, com critérios e evidências, aspectos dessa atuação.

1. As quatro funções da administração

Planejar é definir objetivos e caminhos. Organizar é distribuir recursos e responsabilidades. Dirigir é orientar e mobilizar pessoas. Controlar é comparar o realizado com o esperado e corrigir desvios. Esse ciclo, chamado PODC, não precisa acontecer em quatro momentos isolados: as funções se relacionam continuamente.

2. Fazer bem não é o mesmo que resolver o problema

Eficiência relaciona entregas e recursos usados. Eficácia olha o alcance das metas. Efetividade considera os efeitos produzidos na realidade. Um programa pode distribuir todas as cartilhas previstas e não melhorar o conhecimento do público. A entrega foi feita; o efeito desejado ainda precisa ser avaliado.

Na prática · atendimento ao cidadãoUm órgão atende 1.000 pessoas com menos horas de trabalho: houve melhora de eficiência, mantidas as condições de qualidade. Alcança a meta de atender 1.000 pessoas: eficácia. Consegue reduzir o problema que motivava os atendimentos: efetividade. Uma dimensão não comprova automaticamente as outras.

3. Risco é uma incerteza que afeta objetivos

Se o objetivo é pagar apenas despesas válidas, um risco é aprovar pagamento duplicado. Uma conferência automática pode ser um controle preventivo; uma conciliação posterior pode detectar erros já ocorridos. Controles reduzem riscos, mas não oferecem garantia absoluta: podem falhar, ser contornados ou custar mais do que o benefício esperado.

4. Auditor não substitui o gestor

A gestão é responsável por executar atividades e manter controles. A auditoria interna fornece avaliação e assessoria com independência e objetividade. Um achado precisa estar sustentado em evidências e comparado com um critério: não é apenas uma impressão. Auditoria de conformidade verifica aderência às regras; auditoria operacional examina aspectos de desempenho.

Confira se entendeu: cumprir a meta de treinamentos prova que o serviço melhorou?

Não. Comprova a entrega prevista, mas a melhoria do serviço exige observar resultados, como redução de erros ou maior resolutividade.

A seguir, conecte essas ideias às teorias administrativas e aos modelos de controle.

Evolução do pensamento administrativo e PODC

TeoriaÊnfaseAutoresIdeias-chave
Administração CientíficaTarefasTaylorEstudo de tempos e movimentos, padronização, "one best way", incentivo salarial, homo economicus, supervisão funcional
ClássicaEstruturaFayolFunções do administrador: prever, organizar, comandar, coordenar, controlar; 14 princípios (unidade de comando, cadeia escalar, divisão do trabalho...); visão de cima para baixo
Relações Humanas (humanística)PessoasElton Mayo (Hawthorne)Homem social, grupos informais, moral, liderança; reação à Clássica
BurocráticaEstruturaMax WeberAutoridade racional-legal, impessoalidade, hierarquia, formalismo, meritocracia, previsibilidade
EstruturalistaEstrutura e ambienteEtzioni, Blau e ScottOrganização formal e informal; conflitos são inevitáveis; homem organizacional; tipologias de organizações; análise interorganizacional
NeoclássicaEstrutura e resultadosDruckerPragmática e eclética; APO (administração por objetivos); funções PODC; centralização x descentralização
Comportamental (behaviorista)PessoasSimon, Maslow, Herzberg, McGregor, Likert, BarnardRacionalidade limitada, homem administrativo, processo decisório, motivação
SistêmicaAmbienteBertalanffy, Katz e KahnSistema aberto: entradas, processamento, saídas, retroação; entropia negativa, homeostase, equifinalidade, sinergia
ContingencialAmbiente e tecnologiaBurns e Stalker, Lawrence e Lorsch, Woodward, Chandler"Tudo depende": não há melhor forma única; estruturas mecanicistas (ambiente estável) x orgânicas (ambiente instável); estrutura segue a estratégia
MnemônicoÊnfases = "TEPAT": Tarefas (Científica) → Estrutura (Clássica, Burocrática, Neoclássica, Estruturalista) → Pessoas (Relações Humanas, Comportamental) → Ambiente (Estruturalista, Sistêmica, Contingência) → Tecnologia (Contingência). Fayol = "POC³": Prever, Organizar, Comandar, Coordenar, Controlar.
Função (PODC)O que é
PlanejamentoDefinir objetivos e os meios para alcançá-los (estratégico, tático, operacional)
OrganizaçãoDividir o trabalho, alocar recursos, definir estrutura, autoridade e responsabilidades
DireçãoConduzir pessoas: liderança, motivação, comunicação, coordenação
ControleMedir desempenho, comparar com padrões e corrigir desvios (retroalimenta o planejamento)
Pegadinha FCCWeber não criou "a burocracia como sinônimo de lentidão": as disfunções (excesso de formalismo e papelório, apego às regras, resistência a mudanças, despersonalização, superconformidade, dificuldade com clientes) foram apontadas por Merton. E foi a Teoria Estruturalista, não a das Relações Humanas, que integrou organização formal e informal.
BizuNa Sistêmica, equifinalidade = um mesmo resultado pode ser alcançado por caminhos diferentes; homeostase = equilíbrio dinâmico; entropia negativa = o sistema aberto importa energia para não se desorganizar; sinergia = o todo é maior que a soma das partes.

Estrutura organizacional e processo decisório

ParRefere-se aSignificado
Centralização x DescentralizaçãoDistribuição do poder de decisãoDecisões concentradas no topo x delegadas aos níveis inferiores
Concentração x DesconcentraçãoDistribuição de órgãos/unidades (estrutura)Atividades reunidas em poucas unidades x distribuídas em várias unidades
Pegadinha FCCNão misture com Direito Administrativo: lá, descentralização = transferir atividade a outra pessoa jurídica (indireta, particulares), e desconcentração = distribuir competências entre órgãos da mesma pessoa jurídica, com hierarquia. Leia o enunciado para saber qual disciplina está sendo usada.
EstruturaCaracterísticaVantagem / problema
LinearUnidade de comando, autoridade única e direta (militar)Simples, clara / rígida, sobrecarga no topo
FuncionalAutoridade por especialidade (Taylor); vários chefes especialistasEspecialização / viola a unidade de comando, conflitos
Linha-staffLinha decide e executa; staff assessora (sem autoridade de linha)Especialização com unidade de comando / atritos linha x staff
MatricialFuncional + projetos/produtos; dupla subordinaçãoFlexibilidade e uso de especialistas / ambiguidade, conflito de autoridade
Por projetosEquipes temporárias com gerente de projeto com autoridadeFoco no resultado / duplicação de recursos, desmobilização
Em redeNúcleo enxuto que coordena parceiros externos (terceirização)Flexibilidade, custo / menor controle, dependência
Bizu"Satisfazer em vez de maximizar" = Simon, racionalidade limitada. "Mudanças em pequenos passos a partir do status quo" = incrementalismo de Lindblom.

Estratégia, processos (BPM) e projetos

AjudaAtrapalha
Interno (controlável)S ForçasW Fraquezas
Externo (não controlável)O OportunidadesT Ameaças

Estratégias da matriz: SO = desenvolvimento/ofensiva (usar forças para aproveitar oportunidades); WO = crescimento/reforço (superar fraquezas para aproveitar oportunidades); ST = manutenção/confronto (usar forças contra ameaças); WT = sobrevivência/defensiva.

Pegadinha FCC"Uma nova lei que amplia a fiscalização é uma força da organização." Errado: fatores do ambiente externo são oportunidades ou ameaças; forças e fraquezas são internas.
Mnemônico5 Forças = frase "Rivais Novos Substituem Fornecedores e Clientes": Rivalidade, Novos entrantes, Substitutos, Fornecedores, Clientes. Só uma é "interna ao setor" (rivalidade); as outras quatro pressionam de fora.
BizuNíveis do planejamento: estratégico (organização como um todo, longo prazo, alta direção), tático (departamentos, médio prazo, gerência intermediária) e operacional (tarefas, curto prazo, supervisão). A FCC troca "tático" com "operacional".

Gestão por processos (BPM)

Gestão de projetos

MnemônicoGrupos de processos = "IPEMCE" ("Ipê em CE"): Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento e Controle, Encerramento. Grupos de processos não são fases do projeto: interagem e se repetem em cada fase.

Comportamento organizacional e gestão de pessoas

Teoria de motivaçãoEssência
Maslow (hierarquia)Fisiológicas → segurança → sociais → estima → autorrealização; necessidade satisfeita deixa de motivar
Herzberg (dois fatores)Higiênicos (extrínsecos: salário, condições, políticas, supervisão) evitam insatisfação, mas não motivam; motivacionais (intrínsecos: realização, reconhecimento, o trabalho em si, responsabilidade, crescimento) geram satisfação
McClellandNecessidades adquiridas: realização, afiliação e poder
Alderfer (ERC)Existência, Relacionamento, Crescimento; admite frustração-regressão e várias necessidades ao mesmo tempo
McGregorTeoria X (pessoas evitam trabalho, precisam de controle) x Y (pessoas buscam responsabilidade, autocontrole)
Vroom (expectância)Motivação = Expectativa (esforço → desempenho) × Instrumentalidade (desempenho → recompensa) × Valência (valor da recompensa)
Adams (equidade)Comparação entre a própria relação esforço/recompensa e a dos outros
Locke (fixação de metas)Metas específicas e desafiadoras, com feedback, elevam o desempenho
Skinner (reforço)Comportamento é moldado por consequências (reforço positivo/negativo, punição, extinção)
Pegadinha FCCPara Herzberg, salário é fator higiênico: aumentá-lo reduz a insatisfação, mas não gera motivação duradoura. O oposto de satisfação é "nenhuma satisfação", não insatisfação. Teorias de conteúdo (o que motiva: Maslow, Herzberg, McClelland, ERC) x de processo (como motiva: Vroom, Adams, Locke).
LiderançaEssência
Estilos (White e Lippitt)Autocrática, democrática, liberal (laissez-faire)
Grid Gerencial (Blake e Mouton)Eixo produção × eixo pessoas: 1.1 empobrecido; 9.1 autoridade-obediência (tarefa); 1.9 clube de campo; 5.5 meio-termo; 9.9 equipe (ideal)
Situacional (Hersey e Blanchard)Estilo conforme a maturidade do liderado: E1 Determinar (M1) → E2 Persuadir (M2) → E3 Compartilhar (M3) → E4 Delegar (M4)
Fiedler (contingencial)Estilo do líder é relativamente fixo (escala LPC); muda-se a situação ou o líder
Caminho-meta (House)Líder esclarece o caminho para as metas e remove obstáculos
Transacional x TransformacionalTroca recompensa por desempenho x inspira, estimula intelectualmente, carisma, visão
MnemônicoHersey-Blanchard = "DePerCoDe": Determinar, Persuadir, Compartilhar, Delegar, do liderado mais imaturo ao mais maduro. Quanto mais maduro, menos tarefa e (no fim) menos relacionamento.
BizuLiderança situacional x Fiedler: em Hersey-Blanchard o líder adapta seu estilo ao liderado; em Fiedler o estilo do líder é fixo e o que se ajusta é a situação (ou se troca o líder).

Modelos de gestão pública, governança e parcerias

PatrimonialistaBurocráticoGerencial (NPM)
Marco no BrasilAté 1930 (Colônia, Império, República Velha)Era Vargas: reforma de 1936 e DASP (1938)Ensaio com o DL 200/1967; PDRAE (1995, Bresser-Pereira, MARE); EC 19/1998 (eficiência)
TraçoConfusão entre público e privado; nepotismo, clientelismo, corrupçãoImpessoalidade, hierarquia, formalismo, mérito (concurso), profissionalizaçãoFoco em resultados, eficiência, cidadão-cliente, descentralização, autonomia com contratualização
ControlePraticamente inexistenteA priori, sobre processos e procedimentosA posteriori, sobre resultados
CríticaCorrupção e nepotismoAutorreferência, rigidez, lentidãoCidadão visto como mero cliente; foco excessivo em eficiência
Pegadinha FCCOs modelos não se substituíram por completo: práticas patrimonialistas e burocráticas convivem com o gerencialismo. E o gerencialismo não abandona a burocracia: preserva seus avanços (concurso, carreira, impessoalidade), flexibilizando procedimentos. O PDRAE dividia o Estado em: núcleo estratégico, atividades exclusivas, serviços não exclusivos (publicização via OS) e produção para o mercado (privatização).
BizuAccountability vertical x horizontal (O'Donnell): vertical vem de baixo para cima (eleitor, sociedade, imprensa); horizontal ocorre entre órgãos do Estado de mesmo nível com poder de fiscalizar e sancionar (TCs, Legislativo, Judiciário, MP). Controle social é accountability vertical não eleitoral.
ParceriaBaseInstrumentoNota
OS (Organização Social)Lei 9.637/1998Contrato de gestãoQualificação discricionária; pode receber recursos, bens e cessão de servidores
OSCIPLei 9.790/1999Termo de parceriaQualificação vinculada (ato do Ministério da Justiça)
OSC (MROSC)Lei 13.019/2014Termo de colaboração (proposta da administração), termo de fomento (proposta da OSC), acordo de cooperação (sem transferência de recursos financeiros)Regra: chamamento público
Consórcio públicoLei 11.107/2005Protocolo de intenções → contrato de consórcio; contrato de rateio; contrato de programaEntre entes federados; personalidade de direito público (associação pública) ou privado
ConvênioLegislação própriaTermo de convênioInteresses comuns (cooperação), não contraprestação; após o MROSC, com OSC só em hipóteses residuais (ex.: saúde complementar)
MnemônicoOS → Contrato de Gestão ("O Senhor Gerencia"). OSCIP → Termo de Parceria ("o CIP é Parceiro"). MROSC: Colaboração = Corre do governo (iniciativa da administração); Fomento = Fala da OSC (iniciativa da organização).

Políticas públicas, indicadores e avaliação de programas

"E"PerguntaExemplo (programa de fiscalização)
EconomicidadeOs insumos foram obtidos ao menor custo, com qualidade?Software contratado por preço abaixo do mercado
ExecuçãoAs ações foram realizadas conforme previsto (prazos, cronograma, padrões)?100% das etapas do plano cumpridas no prazo
EficiênciaRelação produtos / insumos (custo por unidade produzida)Custo por auditoria realizada
EficáciaAs metas de produto foram atingidas (quantidade, prazo), independentemente do custo?Meta de 500 fiscalizações atingida
EfetividadeHouve impacto/transformação na realidade (outcome)?Redução da sonegação e aumento da arrecadação espontânea
FonteO edital lista "5 Es: Eficiência, Eficácia, Efetividade, Economicidade e Execução". Eles vêm da cadeia de valor dos 6 Es do desempenho (Guia Referencial de Medição de Desempenho, Ministério do Planejamento/Gespública): dimensões de esforço = economicidade, execução e excelência; dimensões de resultado = eficiência, eficácia e efetividade.
MnemônicoSiga a cadeia de valor insumo → processo → produto → impacto: Economicidade (insumo barato) → Execução (processo feito) → Eficiência (produto/insumo) → Eficácia (produto entregue) → Efetividade (impacto). "Eco Exe Efi Efa Efe": da compra ao impacto.
Pegadinha FCCA banca troca eficácia (cumprir a meta) com efetividade (mudar a realidade). Vacinar 1 milhão de pessoas = eficácia; queda da incidência da doença = efetividade; vacinar ao menor custo por dose = eficiência. Em outros referenciais (TCU, auditoria operacional) aparece também equidade (distribuição justa dos benefícios), mas o edital pede execução.
AnáliseComo mede o benefícioIndicador típico
Custo-benefícioBenefícios monetizados (em R$)VPL > 0; razão B/C > 1
Custo-efetividadeResultado em unidades físicas/naturais, sem monetizarCusto por aluno alfabetizado, por vida salva
Custo-utilidadeUnidades de utilidade/bem-estarCusto por QALY (saúde)
BizuQuando o benefício é difícil de traduzir em dinheiro (vidas, aprendizagem), escolha custo-efetividade; ela compara alternativas que perseguem o mesmo objetivo. Avaliação ex ante (antes, para decidir) x ex post (depois, para julgar resultados); avaliação de processo x de impacto.

Auditoria governamental: tipos, instrumentos e normas

TipoObjetoPergunta
Financeira (de demonstrações)Demonstrações contábeis/financeirasEstão livres de distorção relevante, conforme a estrutura de relatório aplicável? Gera opinião
Conformidade (legalidade)Atos e transações frente a critérios (leis, regulamentos, contratos)Foram cumpridas as normas? (legalidade e, em sentido amplo, legitimidade/propriedade)
Operacional (desempenho)Programas, órgãos, políticasFuncionam com economicidade, eficiência, eficácia e efetividade? Há espaço de melhoria?
Mnemônico"FCO" (como a sigla de fundo constitucional): Financeira (números), Conformidade (normas), Operacional (desempenho e os "Es").
Instrumento (RI-TCU)Finalidade
LevantamentoConhecer a organização e o funcionamento de órgãos, programas e sistemas; identificar objetos e instrumentos de fiscalização; avaliar a viabilidade de fiscalizações
AuditoriaExaminar legalidade e legitimidade dos atos de gestão (aspectos contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial); avaliar o desempenho de órgãos, programas e projetos
InspeçãoSuprir omissões e lacunas de informação, esclarecer dúvidas ou apurar denúncias e representações
AcompanhamentoExaminar legalidade/legitimidade e avaliar desempenho ao longo de um período predeterminado (concomitante)
MonitoramentoVerificar o cumprimento das deliberações do Tribunal e os resultados delas advindos
Mnemônico"LAIAM": Levantamento conhece; Auditoria examina e avalia; Inspeção investiga pontual (denúncia, lacuna); Acompanhamento acompanha no tempo; Monitoramento confere se o Tribunal foi obedecido.
Pegadinha FCC"O monitoramento destina-se a apurar denúncias." Errado: apurar denúncia é inspeção; monitoramento verifica o cumprimento de deliberações. "Levantamento avalia o desempenho de programas" também está errado: é auditoria (operacional).

Normas e modelos

MnemônicoNíveis do IA-CM = "I-I-I-G-O": "Início, Infraestrutura, Integração, Gerência, Otimização". Três "I" e depois "GO" (vai!).

Riscos e controle: COSO, ISO 31000 e Três Linhas

COSO I · Controle Interno (2013)COSO ERM (2004)COSO ERM (2017)
Componentes5: ambiente de controle; avaliação de riscos; atividades de controle; informação e comunicação; atividades de monitoramento8: ambiente interno; fixação de objetivos; identificação de eventos; avaliação de riscos; resposta a riscos; atividades de controle; informação e comunicação; monitoramento5: governança e cultura; estratégia e definição de objetivos; desempenho (performance); análise e revisão; informação, comunicação e divulgação
Princípios17(não estruturado em princípios)20
ObjetivosOperacionais, de divulgação (reporting), de conformidadeEstratégicos, operacionais, de comunicação, de conformidadeIntegra risco à estratégia e ao desempenho
MnemônicoCOSO I = "AAAIM" ("A Aula Ainda Ia Mal"): Ambiente de controle, Avaliação de riscos, Atividades de controle, Informação e comunicação, Monitoramento. O ambiente de controle é a base (tom da alta administração, integridade, valores éticos).
BizuO COSO é o referencial clássico de controle interno; a ISO 31000 e o COSO ERM são de gestão de riscos; as Três Linhas definem papéis (quem faz o quê). Uma questão que pede "papéis e responsabilidades" aponta para as Três Linhas; "componentes" aponta para o COSO.

ISO 31000:2018 (ABNT NBR ISO 31000)

Pegadinha FCCNa ISO 31000, "avaliação de riscos" (risk assessment) é o conjunto identificação + análise + avaliação; a etapa "avaliação" (risk evaluation) é a última delas, que compara o resultado da análise com os critérios de risco para decidir se e como tratar. A ISO 31000 é norma de diretrizes, não certificável.

Modelo das Três Linhas (IIA, 2020)

QuemPapel
Órgão de governançaPresta contas aos stakeholders; supervisiona; delega à gestão e assegura a independência da auditoria interna
1ª linha (gestão operacional)Entrega produtos/serviços aos clientes; possui e gerencia os riscos do dia a dia; mantém controles internos
2ª linha (gestão: riscos, conformidade, controles internos)Expertise complementar, apoio, monitoramento e questionamento sobre a gestão de riscos
3ª linha (auditoria interna)Avaliação e assessoria independentes e objetivas sobre a adequação e eficácia da governança e do gerenciamento de riscos; reporta ao órgão de governança
Prestadores externos de avaliaçãoAuditoria externa, reguladores, tribunais de contas: avaliação adicional (fora das linhas)
BizuA versão 2020 trocou "Três Linhas de Defesa" (2013) por "Três Linhas": abordagem baseada em princípios (6), foco em criar e proteger valor (não só defender), colaboração entre as linhas, e as 1ª e 2ª linhas passam a ser vistas como papéis da gestão. 1ª e 2ª linhas podem se misturar; a independência é exigida da 3ª.

Controle interno, controladoria, ouvidoria e integridade

Lei seca · CF, art. 70A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Parágrafo único: prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.
Lei seca · CF, art. 74Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de: I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União; IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.
MnemônicoArt. 74 = "MeLOA": Metas (avaliar PPA, programas e orçamentos), Legalidade e resultados (eficácia e eficiência), Operações de crédito, avais e garantias, Apoiar o controle externo. Art. 70 = "LLE": Legalidade, Legitimidade, Economicidade.
Pegadinha FCCNo art. 74, II, o controle interno avalia resultados quanto à eficácia e eficiência (não "efetividade"). No art. 70 os critérios são legalidade, legitimidade e economicidade. A omissão do responsável pelo controle interno gera responsabilidade solidária (não subsidiária). Pelo princípio da simetria, as regras valem para os Estados (TCE-SP e Assembleia Legislativa no controle externo).
Controle internoControle externo
Quem exerceCada Poder sobre seus próprios atos (no Executivo paulista: órgão central de controle interno, a Controladoria Geral do Estado)Poder Legislativo, com auxílio do Tribunal de Contas (art. 71)
NaturezaAutocontrole, apoio à gestão; preventivo e corretivoControle de um Poder/órgão sobre outro, com poder sancionador do TC
RelaçãoControle interno apoia o externo (art. 74, IV) e deve comunicar irregularidades ao Tribunal

Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) e integridade

BizuGestão de riscos de fraude: o "triângulo da fraude" (Cressey) = pressão (motivo), oportunidade (falha de controle) e racionalização (justificativa). Controles atacam principalmente a oportunidade: segregação de funções, alçadas, rodízio, conciliações, trilhas de auditoria.

Teste rápido

1. A Teoria Neoclássica, de Peter Drucker, enfatiza os objetivos e resultados e consagrou a Administração por Objetivos (APO).

Certo. Neoclássica: pragmática, eclética, ênfase em objetivos e resultados, funções PODC e APO.

2. Na estrutura funcional, cada subordinado reporta-se a um único chefe, preservando-se integralmente o princípio da unidade de comando.

Errado. Isso descreve a estrutura linear. A funcional (Taylor) tem autoridade por especialidade e viola a unidade de comando.

3. Segundo Herzberg, a melhoria salarial é fator motivacional capaz de gerar satisfação duradoura no trabalho.

Errado. Salário é fator higiênico: evita insatisfação, mas não motiva por si.

4. No modelo burocrático de administração pública, o controle é exercido predominantemente a posteriori, sobre os resultados.

Errado. Burocrático = controle a priori, sobre processos. A posteriori, sobre resultados, é o gerencial.

5. Um programa que atingiu a meta de construir 100 escolas no prazo foi eficaz, ainda que não se saiba se houve melhora nos indicadores educacionais.

Certo. Eficácia = alcance da meta de produto. Melhora dos indicadores seria efetividade.

6. A inspeção é o instrumento de fiscalização utilizado para verificar o cumprimento das deliberações do Tribunal de Contas e os resultados delas advindos.

Errado. Isso é monitoramento. Inspeção supre lacunas, esclarece dúvidas e apura denúncias e representações.

7. O COSO I (2013) estrutura o controle interno em cinco componentes: ambiente de controle, avaliação de riscos, atividades de controle, informação e comunicação, e atividades de monitoramento, desdobrados em 17 princípios.

Certo. Cinco componentes e 17 princípios.

8. No Modelo das Três Linhas do IIA, cabe à segunda linha prestar avaliação independente e objetiva ao órgão de governança sobre a eficácia da gestão de riscos.

Errado. Avaliação independente é da terceira linha (auditoria interna). A segunda linha oferece expertise complementar, apoio, monitoramento e questionamento.

9. Pelo art. 74 da Constituição, os responsáveis pelo controle interno que tomarem conhecimento de irregularidade e não a comunicarem ao Tribunal de Contas responderão subsidiariamente.

Errado. A responsabilidade é solidária (art. 74, § 1º).

10. A auditoria operacional avalia a economicidade, a eficiência, a eficácia e a efetividade de programas e organizações, enquanto a auditoria de conformidade verifica a aderência a leis e regulamentos.

Certo. Tipos: financeira (demonstrações), conformidade (normas) e operacional (desempenho).

11. Na análise custo-efetividade, os benefícios do programa devem ser obrigatoriamente convertidos em valores monetários.

Errado. Monetizar benefícios é próprio da custo-benefício. A custo-efetividade mede o resultado em unidades físicas (custo por aluno alfabetizado, por vida salva).

12. A Lei nº 12.846/2013 prevê a responsabilização objetiva da pessoa jurídica por atos lesivos à administração pública, e a existência de programa de integridade é considerada na aplicação das sanções.

Certo. Responsabilidade objetiva da PJ; mecanismos de integridade entram na dosimetria.